Comerei as frutas da estação.

18 ago

Minhas reflexões do texto anterior provocaram reflexões em outros, que as compartilharam por outras vias. Decidi, então, escrever um novo texto, dialogando com alguns desses comentários e estendendo meu raciocínio ou relato, como preferirem.

Cada pessoa reage diferente a essa experiência de morar fora. Muitos ficam deslumbrados nos primeiros meses — ou primeiro ano! —, outros não aproveitam nem o primeiro mês, pois acabam se vendo numa mudança radical de estilo de vida que não conseguem suportar. Eu? Bem, minha motivação foi outra. Vim porque vim. Nunca tive vontades de morar alhures, como diria meu excelentíssimo. Tinha vontade de viajar por aí, mas não de permanecer. Bem, pouco importa! O que importa é que agora moro alhures. E os primeiros meses foram interessantes; havia muitas novidades. Alguns acompanharam minhas descobertas em lives ou posts: a caneca de café gigantesca, os pedaços gigantescos de torta, os cavalinhos de conto de fadas no centro de uma cidade medieval, etc. Mas isso é turismo. A questão toda é o dia a dia.

Levei uns meses pra entender o que significa água dura e que danos provoca. E o mais interessante é que esta é aclamada como uma das melhores águas da Europa — para beber, presumo. Aqui também tive problemas respiratórios pela primeira vez na vida, em função do smog vindo do lixo (sucata, plástico…) queimado no inverno para o aquecimento das casas dos menos favorecidos. Ter uma dieta com base em verduras, vegetais, carnes, nozes e castanhas aqui é mais difícil, e fugir do glúten é quase impossível: pratos com massa são a base da culinária polonesa. Pareço uma típica cidadã da classe média brasileira falando das dificuldades por causa do preço do pistache! Eu e meus brioches, Maria Antonieta… (OK, como sugeriu uma amiga, comerei as frutas da estação.) Mas isso leva a um ponto importante do meu argumento: sou e sempre fui classe média. E a classe média brasileira conhece abundância. Por mais que não se acredite, conhece. E por que isso é importante pro meu argumento? Porque o Brasil é o que é porque há “castas”.

Para que se possa viver bem, ao menos dentro dos regimes capitalistas de tradição, alguém vai sofrer. Neste momento quase piegas, há muitos interrompendo a leitura aos pulos, me acusando de algum tipo de infantilidade e desinformação, ou delírio, talvez. Mas é verdade. Os países recém capitalistas funcionam de forma diferente. Mas também não é só isso: as Américas funcionam de forma diferente (presumo que a África também). As ex-colônias funcionam de forma diferente! Explico.

Nas Américas, os serviços, dependendo se for no sul ou no norte, podem ser baratos ou caros, mas são eficazes, efetivos, rápidos. Um vendedor não deixa o cliente esperando sem bom motivo, pois é rapidamente substituído e perde seu emprego. Na Europa não — e eles não estão nem aí para o “servir bem”. Mas alguns vão dizer que os países do velho mundo são capitalistas há mais tempo. São nada! Eles foram, no decorrer dos séculos, muitas coisas. O que os estudantes aprendem nas aulas de história aqui vai séculos atrás. Eles, os países europeus, foram de tudo, mas só recentemente capitalistas, após as grandes navegações, enquanto que as Américas foram capitalistas por quase toda sua história. À medida que foram chegando os imigrantes, foram-se estabelecendo castas e propriedades. Jamais houve, ao menos no Brasil, um só povo. Houve muitos, todos melhores que os outros, até que os Engenheiros do Havaí resolveram largar a pérola de que há “uns mais iguais que os outros”. Pois é… Isso é capitalismo. É quando as igualdades se diferenciam.

(Mas eu sabia que o assunto era difícil de evitar divergir. Alguns estão entediados e até eu mesma não estou satisfeita com essas reflexões pela metade, a lá Frank Gallagher britânico — que aliás, é brilhante, e seria para mim um mentor, não fosse “apenas” um personagem.)

E quando as igualdades se diferenciam, os que com isso se incomodam também incomodam os acomodados. E eis que a violência no Brasil está sempre em pauta. Sim, entendo que é uma realidade, ainda mais se comparado ao resto do mundo, pois o Brasil está entre os 12 países mais violentos [Ref1]. Mas tentemos uma nova perspectiva! Como mudou a violência no Brasil no decorrer dos anos? Segundo a imprensa, vivemos um completo caos nestes últimos anos. Quando vejo os noticiários e os cidadãos brasileiros falando, penso do horror que senti quando estourou a guerra em Ruanda. Sangue nas ruas! O brasileiro se sente sitiado por criminosos; não consegue nem sequer andar pelas ruas. Uma brasileira aqui na Polônia relatou, em um almoço, que no Brasil tudo está um horror: crime, lixo e mendigos pelas ruas. Pausa! Pare e reflita. Mendigos ao lado de lixo em uma sentença. Aí pergunto: até onde vai a arrogância do cidadão-classe-média brasileiro? Ok, ok, desviei-me novamente, mas veja que este mesmo cidadão coloca crime e mendigos na mesma frase, logo, não é de se espantar a minha confusão ao falar em crime e me perder em mendigos.

Enfim, acho que é uma confusão geral isso que sentimos, vemos, lemos. E a mídia piora tudo. Por motivos escusos! Não em prol da nossa segurança. Ah, duvida? Pois saiba que o Rio Grande do Sul está mais violento nos últimos tempos, mas não mais que em 1986. Saiba também que São Paulo e Rio de Janeiro estão cada vez mais pacíficos com o passar do tempo [Ref2]. Aliás, São Paulo está bem mais pacífico. Mas então, por que de 3 anos para cá se criou a ideia de que a violência no Brasil chegou a níveis absurdos, como se fosse notícia nova? Por quê? Deixo para que reflitam.

[Ref1] https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_intentional_homicide_rate

[Ref2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_unidades_federativas_do_Brasil_por_taxa_de_homic%C3%ADdios

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Algumas reflexões amargas

17 ago

Eu tenho me isolado. Desde que saí do Brasil pra morar na Polônia, tenho me isolado. Da casa pro trabalho, do trabalho pra casa. Tenho alguns amigos, no geral brasileiros. A gente vai a restaurantes que servem a janta por volta das 7h, mas às 7h geralmente estamos no trabalho, ou voltando pra casa. Nosso horário é depois das 9h, e aí somos os últimos. Os lugares estão todos fechando. Por isso, ao contrário do que eu disse: não vamos a restaurantes. Vamos, mas pouco, muito pouco. Quase sempre jantamos em casa.

Hoje, Mauricio se alongou no trabalho e me pediu que eu fosse ao supermercado. Como eu disse, tenho me isolado. Ir ao mercado pra mim é sempre um choque. Europa, maravilhosa Europa. Na Alemanha não é diferente, já estive lá. Alemanha ou Polônia, mesma coisa. Fui num mercado aqui perto, uma quadra e meia. Entrei e vi uma nuvem de mosquinhas sobre as frutas. Elas vinham das amoras. Testei os acabates. Todos duros feito pedra. Digo, tinha um levemente macio, mas mofado em uma extremidade. Um mofo branco…

A refrigeração nesses mercados daqui é ridícula. Meu apartamento em Porto Alegre era mais frio que esses freezers. A quantidade de carne estragada comprada em pouco mais de um ano aqui supera em muitas vezes as duas décadas em Porto Alegre. O leite, em compensação, não estraga fácil, o que dá medo. Sempre que vou ao supermercado volto triste. Não tem nada fresco e de boa qualidade pra comer. Ah! Quer queijo e peixe em conserva? Sim, aqui tem e é bom. Não que seja melhor que no Brasil, a não ser pelo peixe em conserva, que é algo que não via por lá. Mas não é isso que eu comia diariamente no Brasil. Não sei o que comer aqui…

Voltei pra casa transtornada, com um pacote de carne de hamburguer pro Mauricio — que eu me recuso a comer!! — e dois pomelos pra mim. Ao menos os pomelos estavam bons. Estava transtornada pensando nessa experiência desagradável e lembrei da minha tarde — hoje eu estava de férias, tirei dois dias —, em que usei água desmineralizada pra lavar a cabeça. É uma ginástica! Compra água de galão no super e usa chuveiro de acampamento. Acho que é água para fins automotivos, mas é limpa… Bem, usei a tal da água, meu cabelo não está com a melhor cara, mas parece melhor que antes, contudo, ainda cai. Cai demais… Desde que cheguei, perdi um terço do cabelo. E eu ouço o fio caindo, quando faz “toc” na cabeça. Vários “toc, toc, toc, toc, toc” aumentando meu desespero.

Pois então, pensava na água, na volta pra casa. Pensava em como, mesmo tendo o mesmo poder de compra que antes, vivo aqui em piores condições. Mas veja bem, isso é o padrão europeu! Vivemos bem pro padrão europeu. Muito bem. Mas eu vivia melhor em Porto Alegre. A comida era melhor, os restaurantes ficavam abertos até tarde, os supermercados tinham melhores produtos, havia feira de orgânicos (que aqui não tem). Era mais fácil ser “fresco” no Brasil, ser consumidor exigente. Pensei no Zaffari. Que saudade… Aí falei com uma amiga mineira que disse que em Belo Horizonte o mercado mais popular é tipo o Zaffari, e que tem muitos outros muito melhores que o Zaffari por lá. Mas por aqui, Zaffari seria um luxo. E olha que em Berlin não vi nada superior ao Zaffari também!

Mas eu pensava na água… Vou ficar careca. Careca e desnutrida. Minha pele coça. A água dura faz isso. Tenho amigos que sofreram com dermatite por causa da água dura. Minha pele está um horror! Seca, coça e desenvolvi acne. A linha divisória da testa com o cabelo regrediu. Estou ficando careca…

Cheguei em casa e vim procurar sobre água. Queria um mapa da distribuição de água dura ao redor do mundo. Não consegui achar tal mapa no Google. Só mapas por países. Os mapas mundi (não sei o plural de mundi…) que achei falavam de outros aspectos da distribuição de água. Um deles, o que colo o link aqui, me fez lembrar de uma discussão com um ucraniano que batia o pé dizendo que no Brasil não tem nada, não produz nada, é dependente e tal, nem água tinha, e que nos EUA havia abundância de água. Eu sei, pois vi em documentário, que os EUA têm sérios problemas de água nos estados mais ao sul. Cidades fantasmas, muitas delas, abandonadas pela falta d’água, povoada por alguns cidadãos pobres que não puderam fugir, vivendo na mais completa miséria. Pois é… Mas daí o Google nos retorna imagens como esta:

scarcity-of-water-around-the-world-7-638
(Fonte: https://www.slideshare.net/chiragpahlajani/scarcity-of-water-around-the-world)

Ora, mas é uma perfeita divisão entre hemisfério norte e hemisfério sul. Quase perfeita divisão entre o que chamam “desenvolvidos” e “subdesenvolvidos”, ricos e pobres, não fosse pela Austrália. Escassez de água no sul, ambundância no norte. Claro, eu não notei o “economic”, indicando que é escassez de água por motivos econômicos toda essa parte em laranja. Mas ainda assim, então quer dizer que no hemisfério norte não tem escassez nem física? Ah, me poupe, Google!! Como é possível que se venda essa imagem mundo afora?

Como vou argumentar com outros se a visão que se vende da América do Sul é distorcida e é comprada por todos, até por sulamericanos? Veja bem, não estou dizendo que não há problemas no Brasil, afinal, vivemos atualmente um caos político e na segurança e a distribuição de água não é uma maravilha, sim, mas e o resto? O resto não conta? O resto não vale nada? Saber que o médico polonês recomenda antibiótico para curar espinha ou dor de barriga não vale nada? Saber que medicina e odontologia no Brasil está anos-luz com relação à Polônia não vale nada? Saber que a alimentação brasileira é melhor não vale nada? E que a água no Brasil não é predominantemente dura, não dá dermatite, não faz cair cabelo, e isso? Não vale nada?

Nós duas sabemos

21 maio

Ri feliz quando vi teu nome no remetente.
Caminhando para casa, pensava que receberia um mimo de uma amiga querida.

Chorei quando vi o que me mandavas.
Foi muito mais que um mimo, tem um valor que não consigo expressar.

Sei do significado destas lembranças.
Sei que foram encomendadas, sei para quem e por que motivo.
Agora sei que encomendaste um par especialmente para mim… Gatos.

Sei o que este presente significa para ti,
E espero que saibas o que ele significa para mim.

Cozinhando restos

18 mar

Ao sentar à mesa para jantar, comentei que não sabia se tinha escolhido o melhor requentado, pois à sua frente Mauricio tinha uma tigela funda de uma sopa de tomate brilhante, contrastando com grandes pedaços de brócolis e rodelas de linguiça. À minha frente tinha um prato de fígado de frango refogado com maçãs. Após reconsiderar minha própria escolha, disse: “Bem, mas é uma boa escolha, afinal, uma mulher grávida precisa de ferro, então, não há porquê não se preparar desde já para um possível, porém distante, futuro”. Mauricio começou a rir dizendo que alguns poderiam arguir que, para engravidar, a mulher precisa “levar ferro”. Respondi que a observação, além de grosseira, deixa brecha para esculacho: “Que ferro? Tá falando desse pau mole aí?”. Ele reforçou o comentário dizendo: “Ferro?! Tá mais pra chumbo”. Ora, “Chumbo?”, disse eu. Não sabia que chumbo era mole… Sugeri alumínio, mas Mauricio foi assertivo: “Sim, chumbo é mole, bem mais que alumínio. Dá pra rasgar com os dentes. É como eu sempre fiz”. Comecei a rir, não acreditei que ele tivesse um dia rasgado chumbo com os dentes, mas logo cogitei que ele estaria falando a verdade… Bem, esta foi a pegadinha: a dúvida que viria na sequência. Ele riu, percebendo minha desconfiança, mas logo retornou ao tópico da janta. Finalizou dizendo: “Não temos água, por isso fiz chá”.

(Sem título)

12 mar

Mauricio me comprou lenços umedecidos para limpar os óculos. Acabei de abrir o pacote e fiquei fascinada com o cheiro! Cheirei tanto o paninho que me vi num futuro delirante, agachada num canto, toda encolhida e grudada à parede, com um pano de engraxate no rosto, cheirando loló. Fiquei pensando por que o lencinho umedecido me causava tão forte impressão. Eu estava vidrada naquele lencinho, ávida por todo fragmento de cheiro que dele eu pudesse consumir. Uns minutos de angústia, lutando para entender esta fixação, e, de repente, dei-me conta: tem cheiro forte de cidreira. Cheiro de infância. Cheiro daquela planta cortante que minha avó dizia para eu cuidar com as mãozinhas. Cheiro do chá que ela fazia porque sabia ser o meu preferido.


 

Resolvi registrar aqui também a primeira versão deste texto, que levou coisa de dois minutos pra escrever contra os vinte minutos da versão cabal. Aos que quiserem comentar, façam o favor de me dizer se destruí o texto buscando melhorá-lo. Como disse um cara há muito tempo: “Perdoe-os, Pai, pois eles não sabem o que fazem”.

Versão de Folha de Pão, vulgo, “Rascunho”:
Mauricio me comprou lenços umedecidos para limpar os óculos. Acabei de abrir o pacote e fiquei fascinada com o cheiro! Fiquei cheirando o paninho pensando que poderia me viciar e um dia ser pega agachada num canto, encolhida e grudada à parede, com um pano de engraxate no rosto, cheirando loló. Fiquei pensando por que o lencinho umedecido me provocava tanto o olfato. Eu estava vidrada no lencinho. Aí me dei conta: tem cheiro forte de cidreira. Cheiro de infância. Cheiro do pequeno jardim e da cozinha da minha avó.

Fodasse!

24 nov

Sobre a morte de Charles Manson um internauta disse: “Fodasse!”. Uma paroxítona, sem dúvida. Li: “Fodásse!”. Percebendo o erro de conjugação, imediatamente o corrigi: “Segundo o Priberam, fodesse”. Agora o imagine tentando resolver o impasse: se é riograndino, pensará no pretérito perfeito de “foder”, tal como os riograndinos referem-se à foda concluída: eu fodi, tu fodesse, ele fodeu. Dificilmente pensaria que estou falando do pretérito imperfeito: “que eu fodesse”. Mas, se por um grande acaso, notasse que evitei o hífen, vindo a perceber que fiz apenas um trocadilho (quase escrevi “trocarilho”, visto o tema), fosse o internauta astuto (não parece!) ainda ficaria em dúvida sobre minha intenção: estaria eu insinuando a vontate implícita e frustrada do internauta de foder Manson? (Digo, do internauta ou de outrem, provavelmente voyeur: “Fulano queria que eu fodesse Manson, só que não rolou”.) Mas, na verdade, eu só fiz a escolha menos óbvia de “correção”, afinal, parafraseando o internauta numa paroxítona bem pronunciada: fodasse!

Imagino alguns vindo a escrutinar a conjugação de foder, segundo o Priberam, naquelas belas seções rosa-choque, que tão bem contrastam com o branco, e chegando ao imperativo do verbo. Imperativo é ordem! Imaginem este cidadão pronto para agir mas confuso sobre o sujeito e o objeto da ação, sem saber qual o seu papel na “fodeção”: “fode tu!”, “foda ele!”. Entre risos, “tu” e “ele” tentariam descobrir quem fode quem. Mas é claro que, no coloquial, presente, imperativo e outros tempos verbais confundem-se, valendo a regra: se o pronome vem após o verbo, então é objeto. (Mas faz sentido, não é? afinal, imperativo costuma ter sujeito implícito, sendo a explicitação um artifício para evidenciar a regra. Contudo, convenhamos, não sou perita em gramática, então, no fim das contas: fodasse!)

Amazonka

20 set

I follow the Трэшкультура (read: “trashcultura”) page on facebook, whose most of content is unconventional videos from Slavic countries. Here is a video about which I have opened a discussion on the page: the video. I don’t have an answer to my questions yet, but I guess the thoughts about the video are pretty good — despite I cannot verify the accuracy. I’ve just copied and pasted it below. It is lengthy, but I hope somebody reads :)


Me: This video is interesting in so many aspects. First of all, I don’t know the language, so I grasp everything by body language and try to tell the story. I would be glad to know if the story I picture has some sense in it. Somebody to talk?

A friend: let’s try :)

Me:

“Hey! Ho! Let’s Go!” :D

Well, the video begins in verses, like a chant, a witchery spell, a story. She has a hat ornate with horns, and there is focus on beauty: the human body and the nature. Thus, my first guess would be a song related to witchcraft.

Then I see a corset, which reinforces the libidinous content. And then… a horse.

She feels herself beautiful and self-confident. Dances freely while singing in a lullaby-like melody. Two young and beautiful women appear. So far, witchery is a good guess. And, once again, a horse.

The girls have long stunning hair (compatible with our imagery about seductive witches) and are self-sufficient: one drives a bulldozer (or similar). They ride a horse. And then I listen to the chorus: “Amazonka! Amazooonka!”. Well… it is a good guess that amazonka is the Slavic for amazon: a woman who rides a horse, but also mythological strong and self-sufficient women in total control of their own lives.

The old woman singing is exuberant and tries to show her beauty, making a point that feeling beautiful is something that anyone who likes themselves should feel. It is a healthy relation with the self.

One of the girls bites a juicy apple with her red lips, the dark hair and white skin to make a contrast; the old woman rides with a man, there is implicit sexual content: all witchery references. Both girls ride a horse. The old woman gets a lock of one of the girls’ hair, making also implicit they are their daughters. Then, ends with a horse.

For me, it is a fusion of mythology with witchcraft. It is about women’s empowerment, no matter the age. It is about feeling beautiful, self-confident, self-sufficient, powerful, seductive and healthy in a clear feminin context. It seems to be also a means for teaching her daughters these lessons. It is about not being ashamed of aging, but embracing it.

So, how does it sound? :)

Thanks for accepting tutoring my self-challenge! :D